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A piada e o ambiente de trabalho (artigo 02/02) – Jornal Tribuna Liberal – 09/04/2017

Jim Collins, o professor e pesquisador que muitos atribuem como sucessor de dr. Peter Drucker, escreveu em Empresas Feitas para Durar: “No momento que o líder se permite ser a primeira realidade com a qual as pessoas na empresa se preocupam – quando a primeira realidade deveria ser a própria realidade – você tem a receita da mediocridade, ou pior. Essa é uma das principais razões que explicam por que líderes menos carismáticos costumam gerar melhores resultados no longo prazo do que seus colegas mais carismáticos. Na verdade, aqueles entre vocês que possuem uma personalidade forte e carismática devem ter em mente que o carisma tanto pode ser um ativo quanto uma dificuldade”.

É fato, a vítima (da piada) poderá ser menos talentosa do que o líder, e neste caso alvo das mesmas ou piores crueldades, melhor ou pior do que o líder com esse comportamento, o melhor é se retirar de cena, da empresa, abandone-o. A vida é curta demais para ser pequena.

2017 tem sido um ano de mudanças, vantagens competitivas são rapidamente criadas e erodidas, e temos visto na internet e em outras mídias grandes líderes que faziam suas piadas, se tornarem a própria piada e terminarem sozinhos. Esses grandes poderosos que tudo sabem, são mortais e como nós não conseguem controlar a própria respiração.

O ponto é: Como solucionar esse tema? Provavelmente esse desvio de conduta está conectado ao pré-julgamento dos nossos pares, e a tomada de ações precipitadas, a reação intempestiva. Refiro-me àquele passinho atrás antes da piadinha que normalmente não é dado, o fato de o líder não reagir, mas agir, essa tática deve elevar o time a outro patamar de produtividade. O agir está conectado, ao pensar, refletir, e somente depois tomar uma posição que deverá ser mais assertiva.

A solução na visão do Dr Zero Cost está no exercício de duas variáveis:
O exercício da “liderança positiva” + “mind set de crescimento”, essa fórmula nos parece o caminho para driblar esse entrave.

Os criadores da lista dos melhores pensadores, Thinkers50, em “Pensando o Futuro”, por Stuart Crainer + Dearlove, mencionam Lee Newman que nos traz uma nova visão sobre liderança, “Ele argumenta que a vantagem competitiva sustentável não é mais alcançável no sentido convencional, mas é possível obter vantagem comportamental”. Essa vantagem comportamental Newman denomina “liderança positiva”. Sabemos o quanto evoluiu o tema estratégia desde que Michael Porter deu os primeiros consolidados passos que são ensinados até hoje nos cursos de graduação, mas sabemos também que ele vem sofrendo críticas que de modo algum diminuem sua monumental contribuição ao tema.

A vantagem convencional que Lee se refere é direcionada a produtos e serviços mais competitivos, mas que um dia será alcançado pela concorrência, esse dia pode demorar, mas chegará. Pense e responda: O que sua empresa faz de diferente que não pode ser feito por outra empresa? Nada.  Então, a solução está no time que não pode ser imitado, mas como mantê-lo em alta performance em comparação com a concorrência? Com piadinhas vulgares?

Segundo o conceito de “liderança positiva”, o dia de trabalhado do trabalhador deve ter momentos mais positivos do que negativos, esse balanço é importante para que esse ser humano não tenha suas energias sugadas durante a jornada do dia e possa influir e ajudar nas decisões na plenitude de sua capacidade criativa usando todo o seu conhecimento. Parece óbvio que aquele que trabalha contrariado não rende o quanto poderia render e se distrai com temas menores que de alguma maneira causam ruídos em sua mente derrubando a produtividade e aumentando os custos.

A “liderança positiva” deve prover o balanço positivo da jornada de trabalho de seus pares e colaboradores, já que o mercado e as leis já fazem de nossas vidas um desafio hercúleo, porque então a liderança deve cooperar negativamente?

Lee Newman criador da “liderança positiva” não reponde a pergunta:
É mais rentável uma organização cheia de pessoas atentas e positivas ou de pessoas com comportamentos aviesados?
Ok, não há dados científicos para responder essa pergunta, todavia, vamos fazer um comparativo, peguemos a análise SWOT ou análise FOFA conhecida ferramenta para analisar nossas forças e fraquezas de um produto ou serviço diante do mercado, essa ferramenta muitas vezes são propostas por jovens administradores que enchem o peito e falam: “Eu proponho fazermos uma análise SWOT/FOFA para esse produto”, nada contra, e ratificamos que se trata de uma excelente ferramenta, todavia, vale lembrar que foi criada pela Universidade de Stanford na década de 60, quando a maioria desses jovens não haviam nascido. A pergunta é: De lá para cá, como evoluiu a gestão de empresas? Será que nada mudou, nada de novo foi criado? Pois bem, agora, pensemos sobre o que conhecíamos sobre o cérebro humano na década de 60 e o que conhecemos hoje 60 anos depois, será que nada mudou? Será que não se sabe muito mais hoje sobre o comportamento humano do que que sabia lá atrás? Será que esse comportamento que se descobriu cientificamente não influiu no conceito e como deve ser um líder moderno? Ou como devemos exercer a liderança na era do conhecimento? Pois é, você líder, o que evoluiu? Observe que o aprendizado passado é muitíssimo importante, mas a evolução é fundamental para sobreviver.

A segunda parte da fórmula proposta é o “mind set de crescimento” já exige uma mente treinada para agir no momento seguinte ao fato desagradável ocorrido, tome o caminho correto. Muitos, ao contrário das recomendações científicas, partem para a agressão, se violentam, perdem o humor e pintam um cenário ainda pior. O fato desagradável ocorreu para mim ou para você, o pulo do gato é o que será feito no minuto seguinte. Aqueles que possuem o “mind set de crescimento” acionarão soluções criativas e aprenderão com a situação passada, trata-se de um treino mental. E volto ao velho mestre Peter Drucker, “se você quer algo novo, você precisa de parar de fazer algo velho”. Pense nisso?


Você também pode ler essa coluna diretamente no Jornal Tribuna Liberal, clicando aqui.

Dr Zero Cost

Dr Zero Cost por Ailton Vendramini, perfil realizador com formação na área de Engenharia, tendo trabalhado no Brasil, e no exterior. Atualmente acionista em algumas empresas, e foco no suporte & consultoria para lojistas, pequenas e médias empresas.

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