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Da porteira para fora (10p) – Jornal Tribuna Liberal – 06/08/2017 (Brutalidades)

Estamos fazendo uma retrospectiva do Brasil erros e acertos ligando com as dificuldades que passam o empreendedor e suas pequenas e médias empresas. Portanto, trata-se de uma série que irá nos conduzir aos dias atuais.

Você é político?

Décadas de 1960 – 1970, estamos aqui, enroscados. E o motivo são os erros cometidos no passado que reverberam até hoje (2017), além é claro dos erros recorrentes que insistimos em cometer.

O Dr Zero Cost deseja mencionar de saída o fato de o sr. Costa e Silva ter criado o Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização (o Dr Zero Cost assistia à TV essas aulas / foi criado pela Lei número 5.379, de 15 de dezembro de 1967), e em que pese as centenas de críticas o Dr Zero Cost acredita que um país como o Brasil só será grande, quando a educação tiver um nível internacional e disseminada para todos os brasileiros, e que nós possamos pelo menos conhecer a nossa própria história – trata-se de um pensamento anti-aristotélico, mas cristão. Neste ponto valeria mencionar o desempenho da Coreia do Sul e por que chegaram onde chegaram. Será que se trata de um modelo ideal para o Brasil? O Dr Zero Cost recebeu esta pergunta na semana passada. Vamos voltar a este tópico mais adiante!

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Gen. Costa e Silva – 1967-1969

Com o Gen. Costa e Silva houve também a criação da FUNAI – Fundação Nacional do Índio em 05 de dezembro de 1967, extinguindo o Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Há críticas com relação a FUNAI, um autor que nos abre a mente nesse caminho é o pesquisador Pierre Clastres, ele defende a tese que em vez de tentarmos impor nossa civilidade ao índio deveríamos buscar entender a deles, eles convivem num regime sócio político sem liderança, um regime onde cada um possui uma função e o representante da tribo também possui a sua, mas se não cumprir será morto, simples assim, que tal? Mas, e o Gen. Costa e Silva?

O Gen. Costa e Silva sofre um derrame cerebral e vem a falecer, muito se comentou à época dizendo que se tratara de um atentado, nada foi provado. A verdade é que ele tinha na cartola a suspensão do AI-5, mas com o derrame sofrido veio uma junta militar que assume provisoriamente o poder por 60 dias e depois o General Médici foi escolhido para presidir o País – governou de 30 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974, o pau comia. Por quê?

Sim, alguns grupos de brasileiros se espelhando em outros países partiram para a guerrilha armada. Um desses militantes continua aí na Globo, o sr. Fernando Gabeira. O sr. Gabeira participou do Movimento Revolucionário Oito de Outubro- MR8 que buscava tornar o Brasil um país socialista, ele estava mais para jornalista em vez de terrorista, foi preso em 1970, tentou fugir, levou um tiro nas costas, e por fim foi trocado pelo embaixador alemão sr. Ehrenfried von Holleben juntamente com outros 39 presos (ação executada em 11 de junho de1970, a copa do mundo corria solta no México e como sempre o país se envolvia com Pelé, Tostão, e Cia, poucos entendiam o que ocorria).

No livro de sua autoria (Gabeira), “O que é isso companheiro”, ele escreve: “Entre os que nada falaram, alguns morreram, outros não. Meu caso foi muito especial. A bala atingira o rim, o estômago e o fígado. Sondas e tubos de soro eram indispensáveis. Não poderiam me pendurar no pau de arara sem risco de morte, nem poderiam me fazer sentar na Cadeira do Dragão, que era uma cadeira eletrificada. O que se fazia de tortura se fazia ali na cama ou não se fazia”. Retorna ao Brasil em 1979. E como terminou esta história?

A revista Super Interessante fez uma matéria sobre o sequestro do diplomata americano, onde Fernando Gabeira esteve presente (esta ação antecede o sequestro do embaixador alemão), e escreveu: “O Brasil de 1969 era um Estado violento. Só dois partidos políticos tinham autorização para existir: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que apoiava o governo, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que fazia “oposição”. O Ato Institucional nº 5, o AI-5, baixado pelo presidente Arthur da Costa e Silva em 13 de dezembro de 1968, era a lei. Suspendeu o Habeas Corpus, instituiu a censura à imprensa (Napoleão Bonaparte: “Se perco o controle da imprensa não aguentarei no poder nem por três meses”), cassou 69 parlamentares e fechou o Congresso Nacional, além de cinco Assembleias Legislativas estaduais e dezenas de Câmaras Municipais.

Em 1964, quando os militares tomaram o poder, seis governadores de Estado, dois senadores, 63 deputados federais e cerca de 300 deputados estaduais e vereadores foram cassados”. “A principal consequência do sequestro foi mais violência na guerra entre o governo e seus opositores. Para poupar a vida de Charles Elbrick — a Junta Militar (governou após a morte do Gen. Costa e Silva por 60 dias) ficou numa situação diplomática delicada junto aos Estados Unidos, pois permitia que o embaixador corresse riscos — foram aceitas todas as condições dos sequestradores. Mas depois veio a contrapartida. Foram adotadas no Brasil a pena de banimento e a pena de morte”. Então, sancionada a pena de morte em 1969 foi abolida em 1978 pela Emenda n. 11, mas mantida para o âmbito militar em tempos de guerra.

Do período de tortura outro que brota pela brutalidade sofrida é o Frei Tito, e não pode ser esquecido!

É interessante lembrar que na lista dos libertados em troca do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick (sequestrado em 04 de setembro de 1969) estava o sr. José Dirceu de Oliveira e Silva. O sr. Dirceu que continua na pauta de hoje (2017) relembra ao Dr Zero Cost de uma frase de Clarice Lispector “Não me posso resumir, porque não se pode somar uma cadeira e duas maçãs. Eu sou uma cadeira e duas maçãs. E não me somo”. Ou seja, sua trajetória faria sombra a essas séries que passam no NetFlix, e não poderia ser resumida em 10 capítulos.

O sr. Dirceu nasceu em Passa Quatro em 16 de março de 1946 esta primeira libertação ocorreu em 05 de setembro de 1969, ou seja, ele estava com 23 anos quando foi libertado pelo regime militar e deportado para o México. No livro “Dirceu A Biografia – Do Movimento Estudantil a Cuba, da Guerrilha à Clandestinidade, do PT ao poder, do Palácio ao Mensalão “ de Otávio Cabral, num dos trechos ele escreve ..o ”colega de cela de Dirceu, ao ouvir que ele era um dos quinze presos que seriam trocados (observe que não era permitido rádio dentro das celas, mas continuam lá até hoje + os celulares), disse: “Cabeleira, vocês estão na lista! Falou aqui no rádio! Chamem o carcereiro, peguem as suas coisas porque vocês estão na lista dos presos que vão ser libertados”. Cabeleira era o apelido de o sr. Dirceu à época, portanto, não seremos ingênuos em escrever sobre o sr. Dirceu aqui num simples parágrafo. Esta série do Netflix teria muita dificuldade na construção do capítulo final, já que se trata de uma vida vivida intensamente, ou terminaria simplesmente com a frase de Otávio Cabral: ”José Dirceu de Oliveira e Silva jamais chegou a lugar nenhum”. Com a chegada dos presos no México, o embaixador sr. Elbrick foi solto no sábado, 6 de setembro de 1969. Vamos retornar aos brasileiros mais comuns.

No governo do General de Exército Emílio Garrastazu Médici a ditadura pôde fazer jus a este nome, meios violentos de tortura e alguns assassinatos, foram os Anos de Chumbo. Observamos que o Gen. Médici não falava inglês, era monoglota, mas antes de assumir foi adido militar nos Estados Unidos – não deve ter conversado muito por lá, mais ou menos o que fez o sr. Temer PJ (Pós Joesley) na última reunião do G-20 em julho de 2017. Coisas de Brasil.

É curioso notar que alguns militares ficaram pouco tempo no governo, e o sequestro do embaixador americano ocorreu justamente no período governado pela junta militar.
E como os russos entram na nossa história? Como foi que os russos enxergaram a possibilidade de fomentar a oposição armada no Brasil?

(Continua na próxima semana).

(Leia o artigo anterior)


Você também pode ler essa coluna diretamente no Jornal Tribuna Liberal, clicando aqui.

Dr Zero Cost

Dr Zero Cost por Ailton Vendramini, perfil realizador com formação na área de Engenharia, tendo trabalhado no Brasil, e no exterior. Atualmente acionista em algumas empresas, e foco no suporte & consultoria para lojistas, pequenas e médias empresas.

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