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Da porteira para fora (158) – Jornal Tribuna Liberal de 07/06/2020 –  e o PIB?

Recebemos alguns questionamentos sobre a matéria passada, um veio de Roberto Laguna da LAGUNAFILMS, vale a pena visitar o site deles. Quando destrinchamos o PIB na matéria passada, dissemos:

Se denominarmos o PIB com a letra Y, então:

Y = Consumo das famílias + Gastos do Governo + Investimentos + Saldo da balança externa.

E aí fizemos uma extensa análise. O questionamento foi: Cadê o estoque? Cadê a produção? Cadê o balanço daquilo que foi produzido? E, se, ninguém está comprando, há dinheiro por aí, cadê o dinheiro? Cadê as reservas cambiais?

Vamos lá:

  1. O Dr Zero Cost não é economista, mas o que ocorre com a economia? Ela é uma ciência, sim, mas não é uma ciência exata. Ou seja, possui princípios muito cristalinos que evoluem com os anos, os economistas denominam identidades fundamentais. No entanto, ela depende do comportamento do ser humano, e aí a coisa “pega”, um economista pode prever algo e o resultado ser o inverso. Por que os economistas sempre acertam? Ocorre que temos economistas aos “baldes”, cada um faz uma previsão diferente e por uma questão de probabilidade, um irá acertar. Sugiro, ler jornais antigos, é muito divertido, no Brasil nem precisa ser muito antigo, veja as previsões oficiais de crescimento do PIB para 2020 em 2,5% feitas pelo governo atual e a bolsa de valores a 200.000 pontos.
  2. Embora a economia não seja uma ciência exata, ela parte de critérios muito sólidos. Parte de equações fundamentais. É verdade que essas equações também sofrem alguma evolução, mas isso é normal. As equações de Einstein não se têm mostrado eficaz no campo da nanotecnologia. Assim, as ciências são como seres vivos, elas evoluem.
  3. Os economistas calculam o PIB pelo lado da demanda, como o Dr Zero Cost fez na matéria passada, ou seja, PIB = Y = Demanda (a equação está aí acima). No entanto, o PIB também pode é calculado pelo lado da oferta. O PIB calculado pelo lado da Oferta é necessariamente igual ao PIB calculado pelo lado da Demanda. Então, o que foi produzido, etc.. entra no cálculo do PIB pelo lado da oferta. É como se tivéssemos duas estradas para chegar na mesma cidade.
  4. O PIB pelo lado da oferta, esse sim, considera o que foi produzido tanto em termos de produtos como em termos de serviços. Aqui, entram três grandes blocos, a indústria, os serviços e a agropecuária. Em 29/05/2020 o IBGE soltou o seguinte texto: “O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou retração de 1,5% no primeiro trimestre de 2020 (comparado ao quarto trimestre de 2019), na série com ajuste sazonal. Na comparação com igual período de 2019, o PIB teve variação negativa de 0,3%. No acumulado nos quatro trimestres, terminados em março de 2020, registrou aumento de 0,9%, comparado aos quatro trimestres imediatamente anteriores”.
  5. E, cravou a planilha:
Período de comparação Indicadores
PIB AGROPEC INDUS SERV FBCF CONS. FAM CONS. GOV
Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) -1,5% 0,6% -1,4% -1,6% 3,1% -2,0% 0,2%
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior (sem ajuste sazonal) -0,3% 1,9% -0,1% -0,5% 4,3% -0,7% 0,0%
Acumulado em quatro trimestres / mesmo período do ano anterior (sem ajuste sazonal) 0,9% 1,6% 0,7% 0,9% 3,0% 1,3% -0,4%
Valores correntes no 1º trimestre (R$) 1,8 trilhão 119,7 bilhões 305,5 bilhões 1,1 trilhão 285,1 bilhões 1,2 trilhão 343,5 bilhões
Taxa de investimento (FBCF/PIB) no 1° trimestre de 2020 = 15,8%
Taxa de poupança (POUP/PIB) no 1° trimestre de 2020 = 14,1%

  1. Cadê o dinheiro? Desde que aprendi a ler descobri que o brasileiro não poupa como os demais países. Então, quando você menciona investimentos, eles podem vir da poupança interna, ou da poupança pública ou da poupança externa (outros países). O que existe é dinheiro lá fora para nos ajudar principalmente na recuperação da nossa infraestrutura que está em frangalhos, mas esses recursos estão minguando. Aqui o governo tenta fazer chegar ao micro e pequeno empresários os recursos do Pronampe >>a conferir! A poupança do governo vem lá da época do Lula quando as commodities estavam altas e o Brasil surfou e poupou 350 bilhões de dólares, vez ou outra o Banco Central se utiliza desse recurso para segurar o dólar, já que optamos pelo dólar flutuante (corretamente na minha opinião). À época que eu andava pela América do Sul a poupança dos países vizinhos já era entre 20% e 25% do PIB. Nós estamos em 14,1%. Os americanos denominam poupança com a letra S (savings), então, S/Y = 14,1%. Não vamos falar sobre os asiáticos, chega de sofrimento. Aí você poderia ter perguntado: E a nossa taxa de investimento? I/Y = 15,8%  (ahh… I = Investimento Produtivo = FBCF = Formação Bruta de Capital Fixo), de quanto precisamos para nos tornar o tal do país do futuro? Diríamos, algo, em torno de 25% do PIB. Observe que os nossos vizinhos estão investindo mais do que 15,8%, ou seja, eles chegarão lá na frente antes que o Brasil, é no mínimo triste! Então, se você não investe em você e não teve a sorte de ganhar na MegaSena você não irá crescer, é o mesmo procedimento para o Brasil, não há investimentos na proporção que necessitamos, então, não iremos crescer – Simples Assim. Veja que os dados que menciono estão aí na planilha do IBGE, mas por alguma razão ninguém (poucos) discute e eles são: hiper, mega, blaster importantes.

  1. Observe outro fato interessante, o PIB do 2º trimestre irá despencar (alguns falam em 2 dígitos), então, quando tivermos algum crescimento, esse será sobre um PIB que despencou, ou seja, a base irá diminuir e será mais fácil crescer. O quadro do Brasil é dramático, dependemos de uma reforma administrativa e dependemos de uma reforma fiscal – aqui temos o corporativismo e por tal grandes chances do pudim desandar para algo irracional.

Espero ter respondido! Para que o tema não fique muito pesado: “Quanto mais você se organiza do lado de dentro, mais a vida se organiza do lado de fora”.

(leia a matéria anterior)

(leia o próximo artigo sobre B4B4C)

Dr Zero Cost

Dr Zero Cost por Ailton Vendramini, perfil realizador com formação na área de Engenharia, tendo trabalhado no Brasil e no exterior. Atualmente acionista em algumas empresas e foco em Mentoria & Consultoria para pequenas e médias empresas no segmento de Gestão/Vendas/Marketing/Estratégia.

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