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Da porteira para fora (54p) – Jornal Tribuna Liberal de 10/06/2018 – A Travessia 5.

Problemas crônicos se arrastram na administração do Brasil por décadas, nós os apontamos nesta série TRAVESSIA e por incapacidade pessoal não desvendamos as soluções, somente tangenciamos alguns “insights”.

Os temas são complexos, alinhavar soluções no papel é essencial mas muito provavelmente estarão muito longe da realidade brasileira. Lembro-me, agora, de uma pessoa catadora de lixo num desses lixões em São Paulo abrindo um sorriso enorme por ter encontrado um bom pedaço de carne de porco, e a sua felicidade já ia se extrapolando para os familiares que o aguardavam em casa. Como falar em planejamento para esse senhor? Há uma geração de adultos analfabetos que não há como inseri-los na vida cultural, irá restar-lhes algum serviço braçal se as instituições assim determinarem, nada mais do que isso.

 

 

As eleições de outubro de 2018 serão importantíssimas, e pelos candidatos que se apresentam nossos problemas irão se arrastar por pelo menos mais uma década. Isso não implica que devemos votar mal, mesmo corrigindo alguns desvios a maturidade da democracia se atinge ao longo do tempo. Observemos que os candidatos em sua maioria são diabos velhos, gente que abraça criancinha somente em época de eleição. O povo, infelizmente, insiste em colocá-los lá, e paga um preço alto por esse erro recorrente.

Assim, como as empresas os países devem ter propósitos, não é possível ser bom em tudo, seja lá qual for o mercado. Empresas e países podem e devem se organizar em blocos, somando esforços e evidenciando vantagens competitivas.

Objetivos vagos para o plano pessoal, para as empresas, ou para os países dificilmente nos conduzem a um porto seguro.

E as empresas?

Sim, o foco do Dr Zero Cost são as empresas, essas tem mudado e muito. As razões variam desde o comportamento mais exigente de o consumidor, até legislações mais rigorosas. Assim, vivemos uma fase extensa de transição, que transpassará os próximos cinquenta anos.

Uma dica para analisar sua empresa (mas, não a única) seria analisá-la segundo a sigla PESTLE (P – Political, E – Economic, S – Social, T – Technological, L – Legal, E – Environmental) – Será um bom início.

O servir.

Consultores e gurus nos apresentam o verbo servir como sendo a nova onda. Empresas criam diagramas onde o servir ganha destaque. Seja lá qual o mercado que iremos atuar teremos que servir a um propósito, servir ao cliente. Não importa se estamos vendendo serviços ou produtos, ou ambos.

Líderes devem servir o que não significa que não serão exigentes. Ele deve abdicar um pouco do controle e ceder espaço para a cooperação, remar junto para atingir o progresso, deixar espaço para a criatividade do colaborador, ajustando o clima para que o time atue em harmonia, sem deixar de monitorar as variáveis num trabalho contínuo que se retroalimenta e não há final.

Sem dúvida, a função do “servir” é nobre. E o discurso é belo. Cristo veio para servir a um propósito. O problema que observamos aqui é 1. O estágio de maturidade que se encontra a humanidade, e 2. A ética embutida no servir.

As nossas diferenças sociais são enormes, as discriminações estão nas ruas, e o Brasil é fim de linha quanto a índices sociais. O servir nos parece que possui mão única.

O servir pressupõe trabalhar em função de alguém, de algo, de uma ideia, de uma causa. Servir como empregado ou funcionário, servir ao cliente. Certa ocasião, o Dr Zero Cost participava de uma reunião de diretoria, onde os “power points” são feitos de véspera, onde o comando da reunião não estava interessado em discussão, mas sim em comunicar e no cumprimento de metas pré-estabelecidas, e ali o conceito do SERVIR ao CLIENTE foi colocado. E para que o conceito não fosse ameaçado, exemplos do tipo: A empresa “X” adota, adotou, e deu muito certo. E ao final, ficou determinado: O conceito do SERVIR será implantado. Observe que propósitos vagos nos conduzem a lugar nenhum.

O fato do SERVIR ter dado certo para a empresa A ou B, não significa que dará certo para nossa empresa! E mais, os tempos mudam, a sociedade evolui, o que era ético ontem, hoje pode não ser. Dia desses escutei o prof. Cortella citar o mandamento: “não cobiçar a mulher do próximo”, a princípio parece ok, mas trata-se de algo válido à época de Cristo. Será válido para hoje – 2018? (e o prof. fez menção ao fato com sua eloquente didática que não conseguirei reproduzir aqui) Hoje, como proíbe esse mandamento encontramos casais, digamos – “padrão”, onde o homem cobiça a mulher do próximo, mas temos atualmente casais onde a mulher cobiça o homem de outra mulher, ou casais de mulheres que cobiçam a mulher de outro casal de mulheres, ou casais de homens onde um dos homens cobiça outros homens. Enfim, há outros tipos de casais que eu não saberia elencar. Tudo para dizer que o que era válido para uma determinada organização social, pode não ser mais aplicável – deve ser revisto, deve ser revisitado e uma nova ética deve ser acordada.

Servir ou não servir?

Olhando para a história desde os tempos dos gregos, constatamos o conceito do patriarcado, o paradigma do patriarcado nos conduz ao dominador e ao dominado desde Platão há 400 a.C.. O domínio sobre a natureza sem piedade, mesmo que isso signifique a destruição dessa mesma natureza, a destruição de nossa própria casa. Basta para tal vermos os testes nucleares televisivos praticados pela Coreia do Norte, ou o desmatamento criminoso no Brasil a fim de olharmos para o nosso próprio umbigo.

Sair do paradigma patriarcado, da dependência do dominado pelo dominador, do servir e fazer ambos entenderem que todos devemos servir, é um passo humano gigantesco. O servir “pré-supõe” a subordinação.

A mulher conquistou há poucas décadas o direito ao voto, e em alguns países ainda são proibidas de dirigir um automóvel, se bem que quando puderem muito provavelmente os automóveis serão autônomos.

O verbo servir é de aplicação complexa dentro das empresas, lembremos que as empresas de cerne comercial devem obter lucro. Servir numa determinada igreja, ser voluntário, servir a pátria estando no exército onde a disciplina é o nome do jogo, são situações onde o servir se encaixa melhor se compararmos a determinadas estruturas diferentes daquelas que buscam o lucro. Parece-nos que o discurso do servir no caso do lucro servirá mais aos gurus da administração do que propriamente àqueles que devem gerir as empresas. Discutiremos, sem dúvidas o “servir” em nossas reuniões intermináveis e ao sair da sala a mais valia ainda será a espada do patriarca, ou se preferirem do comando de voz do “big boss”. (Continua na próxima semana).

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Dr Zero Cost

Dr Zero Cost por Ailton Vendramini, perfil realizador com formação na área de Engenharia, tendo trabalhado no Brasil e no exterior. Atualmente acionista em algumas empresas e foco em Mentoria & Consultoria para pequenas e médias empresas no segmento de Gestão/Vendas/Marketing/Estratégia.

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